sábado, setembro 02, 2006

Existe política para além do voto?

"Um fantasma ronda a democracia representativa, o fantasma do voto nulo, de Lula a Alckmin, dos esquerdistas partidários aos liberais democratas..."

Para iniciar um debate efetivo sobre a questão do voto nulo, é necessário primeiramente desconstruir alguns mitos que foram perpetuados a seu respeito pelos defensores da manutenção dessa ordem e da perpetuação desse sistema político vigente. É bem verdade, que o voto nulo, vincula-se erroneamente na maioria das vezes, como um sinônimo de alienação política, como um descompromisso com questões sociais, carência de vontade de participação, etc... Isso se fundamenta sem duvida numa análise um tanto quanto superficial e limitada, dos que enxergam a democracia representativa como a única forma possível e irrefutável de se fazer política. Primeiramente, é necessário compreendermos melhor a construção da política e das relações de poder e é Focault que nos dá algumas pistas em "A Microfísica do Poder"... Toda relação humana em sociedade é carregada de conteúdo político, podendo se construir mecanismos extremamente eficazes de opressão e subordinação. O poder não se restringe simplesmente as relações de estado, ele perpassa as mais variadas instancias sociais. Dentro dessa análise e em uma possível inversão de valores , o jogo da democracia representativa, este sim é o grande bastião da alienação política e para isso faremos uma breve análise etimológica do verbo alienar. Do latim, alienare, verbo transitivo direto, significa transferir para outrem o domínio de, alhear. O voto se tornou uma ferramenta de construção de duas ideologias fundamentais, fasificações da realidade. A primeira, o mito do eleitor participativo que se sente agente de alguma mudança efetiva na vida política. O segundo e talvez mais importante, o voto como ausência de responsabilidade que exime o eleitor dito "conscienciente" e que transfere a sua capacidade de participação para a classe política. O voto nesse sentido é erroneamente elevado a um status de bem absoluto da liberdade e da participação, quando na verdade é utilizado na prática como alienação política.

Para entendermos esse fenômeno é compreensível enxergarmos na história do Brasil a recente conquista do voto. A partir de meados dos anos 60, o governo autoritário e golpista, fundamentou-se pelo bloqueio de todos os canais de participação efetivos, construiu fortes aparatos contra a liberdade humana, tais como a censura prévia e a tortura que são inegavelmente práticas de cunho deplorável. Com a abertura política e o fim da censura prévia em meados dos anos 80, dois novos bastiões emergiram como símbolos da nova republica e da sociedade pseudo democrática. Contrói-se o mito da mídia livre e do "voto livre e obrigatório" os quais se configurariam como conquistas importantes. É inegável que a democracia representativa, por mais problemática que seja é um sistema onde existem maiores "liberdades políticas" do que o anterior, mas por outro lado, com nosso modelo político economico neo liberal, é imprescinsdível admitir que ocorreu uma verdadeira transposicão no dominio do poder: ontem a ditadura de estado, hoje a ditadura de mercado. É preciso superar esse modelo democrático representativo falido!!! Soma-se a isso a mídia corporativa, que com o fim de censura se torna o nosso novo "Ayatola", na prática os interesses das grandes corporações e a necessidade de comercialização imediata se sobrepõe a finalidade informativa e ao compromisso social. O nosso novo bem supremo, a ditadura do voto, se alia com a ditadura de mercado midiática formando um verdadeiro circo dos horrores que bombardeia a população e que a um olhar mais aprofundado destrói a ingênua ilusão do voto livre e consciente. Fora a obrigatoriedade desse "direito conquistado" do voto, é inegável a problemática da obrigatoriedade da propaganda política de rádio de televisão. O público alvo desses programas é o eleitor das camadas populares e medianas que assistem a TV aberta, visto que os de maior poder aquisitivo podem estar a salvo em seus canais da tv a cabo. São as camadas menos informadas da população que interessam fundamentalmente ao "jogo democrático", vistas como um terreno fértil para o "voto de cabestro" ou a dádiva de benefícios paliativos, como praticas populistas do tipo "Construção de restaurantes de 1 real" ou coisa que o valha.

Voltando sobre a prática do voto nulo, apos descontruirmos alguns mitos, é necessário entende-lo como uma forma de protesto social legitima, de demonstração de insatisfação com o modelo representativo pretensamente democrático, ou ainda uma estratégia revolucionária de pressão política . O voto nulo consciente é uma arma, que em primeira instancia, pode ser utilizada pelo eleitor no momento em que o mesmo não se sinta contemplado por nenhum dos programas politicos dos candidatos, ou em última instancia como uma forma de negação do modelo de democracia representativa vigente. Enquanto continuarmos delegando um papel secundário para o voto nulo, desmerecendo e menosprezando sua força política, não será possível um debate mais profundo e continuaremos vendo nosso modelo decadente e representativo como uma verdade absoluta. Existe sim, a emergência de uma construção de uma política participativa de base, da transformação de estruturas econômicas sociais, de criar canais efetivos de participação e universalização e não de esperar eternamente pela ação da classe política. Principalmente nesse momento de desilusão é preciso estarmos ativos e participativos, em nossas vidas, em nossos DCE's, em nossos CA's, em nossas Associações de moradores, em nossos sindicatos, enfim, só assim conseguiremos construir uma sociedade mais justa.
Por uma nova política de base, por uma nova ética social, é essa a minha luta, e o voto nulo? É um eixo no processo de construção de uma nova ordem social.

!!!Existe política para além do voto!!!

Filipe Proença

5 Comments:

At 2:27 PM, Anonymous flora said...

próxima reunião: ?

 
At 12:16 AM, Blogger FernandoR. said...

dia 09.. entra em contato pelo email ou msn (msn pode ser o meu.. fernandoacrata@hotmail.com)

abraços

 
At 10:55 AM, Anonymous Anônimo said...

olá,
estou produzindo um programa sobre política na mtv e gostaria de falar com vocês sobre a possibilidade de participarem do debate falando sobre voto nulo.
por favor, entre em contato: julia nogueira
julia.nogueira@mtvbrasil.com.br
muito obrigada.
julia nogueira
produção mtv
11 38717090

 
At 11:09 AM, Anonymous Anônimo said...

Ao invés de lutar pelo voto nulo, por que não concetrar os esforços no voto facultativo? Voto é DIREITO, e não DEVER.
Rodrigo Castelli

 
At 7:41 PM, Anonymous Talita said...

gostei do post =]
sempre fui a favor do voto nulo pela força q ele tem sobre os politicos!manifestaão popular, a unica coisa que eles realmente temem...
porem...estava vendo Faustão nessas ultimas semanas Oo' ahsiuhaui
e ele tava fazendo a cabeça dos telespectadores para não votarm nulo... hj, ele chamou um cara pra falar sobre isso, e o mesmo afirmou q o voto nulo não tem mais poder... e que a eleição não seria cancelada caso ouvesse uma maioria d votos assim na eleição...soh o ESTADO poderia cancelar as eleições...e não o publico com seu ''direito'' d voto... o povo q deu sua opinião não menos importante, soh q não agrada a eles... =/
qria esclarecer isso[Globo manipulaadoraaaa]... por isso vim correndo pra internet pesquisar sobre...
obrigada ^^

:* beeejO

 

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