sexta-feira, julho 21, 2006

Pontas de Icebergs em mares oceânicos de corrupção

Pontas de Icebergs em mares oceânicos de corrupção

Dinheiro vivo na mão de 40 envolvidos


Suspeitos podem ter ganhado também imóveis, viagens e BMW

Brasília - O vice-presidente da CPI dos Sanguessugas do Congresso, deputado Raul Jungmann (PPS-PE), revelou que pretende quebrar o sigilo bancário e telefônico de pelo menos cinco parlamentares que teriam ganhado imóveis e viagens como propina no esquema das ambulâncias superfaturadas.

Além disso, teriam ganho propina 94 parlamentares, dos 105 citados por Luiz Antonio Trevisan Vedoin — dono da empresa Planam, beneficiada no esquema — em depoimento prestado à Justiça Federal de Mato Grosso.

De acordo com o deputado, em 40 situações os parlamentares teriam recebido dinheiro em espécie. Apenas 11 casos não estão comprovados. Jungmann afirmou que dez envolvidos tiveram depósitos em conta corrente pessoal, outros cinco (inclusive três mulheres de parlamentares) usaram contas de parentes para o recebimento da propina, enquanto 34 utilizaram contas de assessores. Já cinco parlamentares são citados como beneficiados com o recebimento de presentes: ônibus e carros das marcas Fiat e BMW.

“O que isso aponta? O sentimento de impunidade beira a negligência. Ou seja: depositar em conta própria está documentado. Isso aponta para negligência e sentimento de escárnio, desrespeito. A lei do próprio crime”, disse Jungmann.

Segundo ele, que quer divulgar os 105 nomes, a maior dificuldade é obter provas nos casos em que deputados receberam em espécie ou são apenas citados.

Lista de CPI pode ser ainda maior

A comissão parlamentar de inquérito ainda não cruzou os nomes dados por Luiz Antonio Vedoin e a lista enviada pela Procuradoria da República. De acordo com Raul Jungmann, porém, o número de parlamentares envolvidos pode ser superior a 105, uma vez que existem nomes na lista do Ministério Público (MP) que não foram citados pelo empresário, acusado de comandar o esquema. Um desses casos é do líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA), que passou o dia de ontem tentando obter da secretaria da comissão uma certidão de que Vedoin não citou seu nome. Negromonte aparece na lista dos 57 parlamentares investigados pelo MP e pelo STF.

Luiz Vedoin decidiu revelar detalhes do esquema de superfaturamento de ambulâncias para prefeituras do interior depois de negociar com a Justiça de Mato Grosso a delação premiada. Em troca, ele espera ter um abrandamento da pena. No depoimento, que durou dez dias, foram apresentados documentos como planilhas com referências bancárias de parlamentares, assessores e familiares.

José Jorge: PT não está na lista dos sanguessugas porque atua no 'atacado'

O candidato a vice-presidnete na chapa de Geraldo Alckmin, senador José Jorge (PFL-PE), comentou ontem, quarta-feira, a ausência de deputados do PT na lista divulgada pela CPI das Sanguessugas, que investiga o esquema de venda de ambulâncias aos municípios com preços superfaturados e pagas com recursos de emendas orçamentárias. Para ele, o PT entrou “no atacado” dos esquemas de corrupção.

“Não tinha petistas [na lista] porque era uma coisa do baixo clero, deputados evangélicos, desconhecidos. O PT entrou nos maiores”, disse o senador, completando: “Não foi a base, foi a cúpula do partido que entrou no esquema do mensalão e casos como o dólar na cueca”.

A lista dos parlamentares investigados por suposto envolvimento com a máfia das ambulâncias, divulgada na terça-feira pela CPI dos Sanguessugas, cita 13 congressistas do PP, 13 do PTB, 10 do PL, cinco do PMDB, quatro do PSB, quatro do PFL, três do PSDB, dois do PRB, dois do PSC e um do PPS.

Fonte: Jornal O Dia